Vou fechar meus olhos, respirar, respirar, respirar, respirar. Há sons nesse lugar, diferentes aos que me rodeiam, há sons nesse lugar. Meu peito tem mudado de cor, alterado, tem sido mútuo. O toque na pele, o rosto em chamas, a boca no ombro, os dedos na mão, as mãos. São dias de cor ,quatro da tarde, a luz mais querida. O tato no corpo, contato. A sensação do toque, pensamento, em benefício. Abrirei as janelas desse circulo antes forma geométrica, apenas era. Deixarei em paz os sentidos alheios, não os olharei mais, não mais. Serei, em outro tempo diria indiferente, serei humana, respeitarei isso, pela primeira vez. Olharei com olhos livres por trás das lentes que os guardam, olharei. Não sei o que verei, como, onde e por quê verei, mas farei. Uma vez ao menos, preciso viver isso, preciso não quebrar o fluxo que mais uma vez se repete, mais uma vez numa permissão. Esses pássaros que me pousam no ombro e me puxam os fios dos cabelos, sempre voltam hora ou outra querendo me mostrar algo que eu sempre me impeço de ver ao cortá-los sobre os ombros. Insistentes eles retornam se emaranhando nas frases de minha pele, circundando meus pulsos com fios de prata pura que brilham como ouro, como prata. Eles tem algo a me dizer, algo que meu canto emudece, eles cantam e dessa vez não cantarei mais alto. Que me fiquem os pássaros em moradia passageira, em despedida, sei que irão quando eu entender o motivo da vinda, sei que irão. E depois em regresso me tocarão outra vez, em minha pele negra de fios dourados se assentarão, talvez em repouso, talvez em sono, pássaros de paz. Hoje apenas sei, que vêm.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
sábado, 27 de novembro de 2010
Grades de ar.
O leão do norte, altivo e forte não sabe o que é não ser livre e pego, atado à cordas não pode andar. Cansado depois de tanto debater-se para soltar-se não pode mais ficar em pé, não conseguindo mais ergue-se, rende-se ao momento de perda, à retirada da coroa e com sede toma de beber nas mãos de seu devorador. Agora solto apesar de forte não consegue paritr, desaprendeu a andar, permanece preso a grades de ar.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
sábado, 16 de outubro de 2010
Vejo homens erguidos, diante de seres gigantescos e feéricos; vejo homens se movimentando com naturalidade, perdidos em si, alheios ao universo, seu interior é o universo.
Há girassóis suspensos na noite, altivos como cataventos,a seu favor.
Há girossóis em meu peito, recolhidos de um tempo carnal, de um tempo em fim, ilusoriamente infinito, um tempo real.
Talvez eu seja imperecível, mas não agora, hoje sou temporária, filha do tempo a ele rendida, a seus segundos furtivos, a seus segundos finais.
E não há mais porque se deter, não há mais porque se dar.
Tenho sido protegida e guiada, não há orixá que me valha, não há santo que me carregue, meu guia é Emanuel.
Esse corpo que me guarda desfar-ce-a, nadarei em águas negras cercada por algas verdes que tocando meu corpo não me queimarão, dançarei extinguindo meus demônios, serei liberta, progressivamente liberta e o que antes era intransponível será caminho natural. Direi outras línguas e ouvirei outros sons, será real como o vento que circula em meu corpo; é real.
Sou dele e ele é meu.
Tenho sido protegida e guiada, não há orixá que me valha, não há santo que me carregue, meu guia é Emanuel.
Esse corpo que me guarda desfar-ce-a, nadarei em águas negras cercada por algas verdes que tocando meu corpo não me queimarão, dançarei extinguindo meus demônios, serei liberta, progressivamente liberta e o que antes era intransponível será caminho natural. Direi outras línguas e ouvirei outros sons, será real como o vento que circula em meu corpo; é real.
Sou dele e ele é meu.
E quando for o tempo,
no momento certo,
amarei.
no momento certo,
amarei.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Mais.
Há paz nos caminhos já vistos, na terra que sempre se sentiu através da planta dos pés, nas vozes da infância. Há paz sobre os peitos em guerra, no Deus que não se conhece, a paz.
Comi a areia na qual não deveria tocar e meu peito antes movediço, agora inerte é pedra. Vou me cercar de mar numa oração. Meus lábios de Jorge não pronunciam o amor, entendem outros sons e em línguas não ditas me expresso. Ouço meu nome ser dito por vozes que desconheço (talvez meu antepassados que num eco me chamam em regresso, num ciclo) não sei o que significam.
Movimentos vazios que quase não são vistos por meus olhos distraídos, olhos em fúria? Não mais, hoje vejo, em paz.
Comi a areia na qual não deveria tocar e meu peito antes movediço, agora inerte é pedra. Vou me cercar de mar numa oração. Meus lábios de Jorge não pronunciam o amor, entendem outros sons e em línguas não ditas me expresso. Ouço meu nome ser dito por vozes que desconheço (talvez meu antepassados que num eco me chamam em regresso, num ciclo) não sei o que significam.
Movimentos vazios que quase não são vistos por meus olhos distraídos, olhos em fúria? Não mais, hoje vejo, em paz.
terça-feira, 18 de maio de 2010
domingo, 25 de abril de 2010
Insólito.
Sempre que alguém me olha daquela maneira fico imaginando o que há de errado em meu rosto. 'Talvez um de meus olhos esteja caindo da óbrita ou haja sangue escorrendo por meu nariz ou ainda meus lábios que de repente ganharam um carnudo extremo' (eu disse extremo). Detalhes que deixei de perceber por pura distração, por toda distração. Procuro um espelho e quando percebo meu rosto intacto num alívio continuo não entendendo nada.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Natureza.
Fora do peito, dentro da boca, num sopro de fúria. Pelos orifícios do nariz como fumaça, lançada dentro do corpo escapa, incontida, escapa.
Eu quis contê-la, segurá-la em mim, calá-la. Mas como romper os segundos de força se o búfalo que trago em meu peito não me deixa, tão pouco dorme? Mostrasse através de meus olhos numa ilusão imagética percebida como realidade, sentida como fogo num calor que não se apaga. Um prazer inalienável, a água que não deixo de beber e minha pele pulsa num ritmo de maracatu, que está nas pontas de meus dedos, no cerne de meus ossos, nas plantas de meus pés, não se pode conter, escapa.
Expõe-se em carne, entre águas, o apego do peito, olhos fundos, movimento, volátil, efêmero, é pétala, desperta e fluí quebrando a marcação do tambor, libertando o som antes preso por cordéis de ritmos até então eternos, agora soltos, perdidos no ar.
Eu que fui Maria, filha do mar não posso mais com peso de meu corpo, sou tomada pela areia que silienciosamente o cerca, sem cautela e me vejo repleta de grãos que não cabem nos fios de minha alma.
Carne que queima, fogo de sopro, alma que vai sem nexo de paz. Seria fogo se não fosse água. Seria água se não fosse fogo.
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