segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Deixa Fluir.

Vou fechar meus olhos, respirar, respirar, respirar, respirar. Há sons nesse lugar, diferentes aos que me rodeiam, há sons nesse lugar. Meu peito tem mudado de cor, alterado, tem sido mútuo. O toque na pele, o rosto em chamas, a boca no ombro, os dedos na mão, as mãos. São dias de cor ,quatro da tarde, a luz mais querida. O tato no corpo, contato. A sensação do toque, pensamento, em benefício. Abrirei as janelas desse circulo antes forma geométrica, apenas era. Deixarei em paz  os sentidos alheios, não os olharei mais, não mais. Serei, em outro tempo diria indiferente, serei humana, respeitarei isso, pela primeira vez. Olharei com olhos livres por trás das lentes que os guardam, olharei. Não sei o que verei, como, onde e por quê verei, mas farei. Uma vez ao menos, preciso viver isso, preciso não quebrar o fluxo que mais uma vez se repete, mais uma vez numa permissão. Esses pássaros que me pousam no ombro e me puxam os fios dos cabelos, sempre voltam hora ou outra querendo me mostrar algo que eu sempre me impeço de ver ao cortá-los sobre os ombros. Insistentes eles retornam se emaranhando nas frases de minha pele, circundando meus pulsos com fios de prata pura que brilham como ouro, como prata. Eles tem algo a me dizer, algo que meu canto emudece, eles cantam e dessa vez não cantarei mais alto. Que me fiquem os pássaros em moradia passageira, em despedida, sei que irão quando eu entender o motivo da vinda, sei que irão. E depois em regresso me tocarão outra vez, em minha pele negra de fios dourados se assentarão, talvez em repouso, talvez em sono, pássaros de paz. Hoje apenas sei, que vêm.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Fragmentos...

de mudança: tenho andado sobre as estrelas que sempre amei.

sábado, 27 de novembro de 2010

Grades de ar.

O leão do norte, altivo e forte não sabe o que é não ser livre e pego, atado à cordas não pode andar. Cansado depois de tanto debater-se para soltar-se não pode mais ficar em pé, não conseguindo mais ergue-se, rende-se ao momento de perda, à retirada da coroa e com sede toma de beber nas mãos de seu devorador. Agora solto apesar de forte não consegue paritr, desaprendeu a andar, permanece preso a grades de ar.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Fragmentos...

de prazer: de todas as cores é o amarelo a mais gostosa.

sábado, 16 de outubro de 2010

 Vejo homens erguidos, diante de seres gigantescos e feéricos; vejo homens se movimentando com naturalidade, perdidos em si, alheios ao universo, seu interior é o universo.
Há girassóis suspensos na noite, altivos como cataventos,a seu favor.
Há girossóis em meu peito, recolhidos de um tempo carnal, de um tempo em  fim, ilusoriamente infinito, um tempo real.
Talvez eu seja imperecível, mas não agora, hoje sou temporária, filha do tempo a ele rendida, a seus segundos furtivos, a seus segundos finais.
E não há mais porque se deter, não há mais porque se dar.
Tenho sido protegida e guiada, não há orixá que me valha, não há santo que me carregue, meu guia é Emanuel.
Esse corpo que me guarda desfar-ce-a, nadarei em águas negras cercada por algas verdes que tocando meu corpo não me queimarão, dançarei extinguindo meus demônios, serei liberta, progressivamente liberta e o que antes era intransponível será caminho natural. Direi outras línguas e ouvirei outros sons, será real como o vento que circula em meu corpo; é real.
Sou dele e ele é meu.
E quando for o tempo,
no momento certo,
amarei.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Mais.

Há paz nos caminhos já vistos, na terra que sempre se sentiu através da planta dos pés, nas vozes da infância. Há paz sobre os peitos em guerra, no Deus que não se conhece, a paz.
Comi a areia na qual não deveria tocar e meu peito antes movediço, agora inerte é pedra. Vou me cercar de mar numa oração. Meus lábios de Jorge não pronunciam o amor, entendem outros sons e em línguas não ditas me expresso. Ouço meu nome ser dito por vozes que desconheço (talvez meu antepassados que num eco me chamam em regresso, num ciclo) não sei o que significam.
Movimentos vazios que quase não são vistos por meus olhos distraídos, olhos em fúria? Não mais, hoje vejo, em paz.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Fragmentos...

Estou cansada do amor alheio.