sábado, 8 de novembro de 2008

Marias.

Acordei cedo no domingo para lavar roupa! Um pouco mais tarde Cacu acordou e eu lhe pedi ajuda. Ficamos as duas lavando roupas, o que não fazemos nunca, e ela começou a cantarolar Cartola. De repente estavámos as duas recordando nossa velha infância no Recife e daquele dia ensolarado na beira do rio, de mainha tão jovem nos mostrando como lavava roupas ali quando era ainda mais jovem. ''Olha Binha: batia assim, depois enxaguava''.
Tenho uma memória péssima e são poucas minhas lembranças, mas esse dia é tão vivo quanto o som da canção. Lembro da luminosidade do sol que tornava tudo ao redor tão lúcido! dos primos correndo, de meus cabelos presos, das brincadeiras com Cacu, de mainha tão linda, tão menina, tão mainha. Dia claro, repleto disso que dizemos felicidade. Recordo da noite que esse dia teve e recordo também do domingo, da proximidade com Cacu, do som de sua voz, de seu sorriso. Me falta a recordação do calor de Kênia na infância, mas também se faz presente o que falta, o que não falta mais.
Somos Marias, de dias claros, raros, sonoros, de dias comuns. Somos Marias, de sóis e de rios, que fluem, afluem, confluem. Marias de regresso e presságios. Marias de tons, de precipitações certeiras e carregamos em nós aquelas canções...

Ensaboa mulata, ensaboa...

Um comentário:

. disse...

Sóis merecem acentos agudos.