Elas parecem diferentes, mas carregam os mesmos olhos pretos e o mesmo peso no olhar.
Uma delas fala baixo, tem voz mansa, é doce, delicada. Chama-se Maria, mas todos a chamam de Mariazinha. Ela deve ter uns quinze anos, tem coração de criança e espertos olhos de menina! Sua inteligência é acima de tudo emocional, Maria é um doce com olhos de jabuticaba.
Já Maria Malagueta não é flor que se cheire, como diria sua mãe. Desde menina fora arretada, discutia com adultos, reclamava, respondia, parecia o tempo todo que iria fugir a qualquer momento, sumir num pé de vento! Cresceu séria, calada, esperta, olha o outro como quem vê a alma e desarma qualquer ser vivo; mulher forte, olha de frente, abre o peito não tem medo de bicho algum, é um pequeno touro de briga, não descansa nunca, tem vinte anos, mas parece que já viveu cinquenta e um!
Maria Bicho do Mato sempre se escondeu de gente! Só tirava foto olhando para os pés e nunca saía de casa sem a mãe. Não havia pai, irmã, tia, avó ou deus que valha que lhe fizesse soltar a mãe. Maria Bicho do Mato cresceu filha protetora, evitando estranhos e amando animais. É Maria filha da mãe e como tal só quer colo, só quer colo.
Maria Sabiá era uma peste destruía qualquer coração desprevenido, não por ser bonita mas por ser Maria. Ela tinha aquele viço no olhar, um sorriso de canto, um sacodido de ombros, uma voz doce, uma gargalhada farta e olhos gigantes cheios de energia. O moço nem percebia que estava sendo enrolado quando via já havia caído na conversa de Maria. E lá ia ela rindo de mais um coração tolo. Maria Sabiá era boa menina, não achava que fazia mal, apenas que se divertia.
Mas havia uma que era diferente de todas as demais. As outras Marias não conversavam com ela, ela não deixava espaço para diálogos era sempre silenciosa e objetiva. Não se sabia o nome dela, não parecia Maria, não parecia nada! Tinha a mesma cor, os mesmos cabelos, os mesmos traços, mas o olhar era diferente! parecia intacto, firme e nada mais. Ela nunca teve medo, nunca teve compaixão. Inteligente, nunca se curvava, nunca se deixava tocar. Havia sumido por muito tempo, tomaram-na por morta, enterrada sem nome. Mas um dia ela voltou!
Foi quando Maria Serena estava sofrendo perdida em lágrimas tadinha, era dor de amor!
Foi quando Maria Serena estava sofrendo perdida em lágrimas tadinha, era dor de amor!
Maria Serena queria saber quem havia inventado o amor, achava que o dono de tal impropério deveria ser processo pelo ato indecoroso e sofria por não poder culpá-lo, afinal o desconhecia. De todas as Marias foi a única que conheceu o amor e que com ele brigava, as demais o cumprimentavam educadamente quando ele por perto passava. É que Maria Serena era fácil de ser fisgada, um prato cheio para sentimentos profundos. Tinha a característica de querer conhecer até o fim tudo quanto era sentimento e diante disso perdia a razão, agia sem pensar, diminuía, quase sumia diante da emoção. Maria Serena era passional, amava até o fim e quando sofria perdia até os quilos que não tinha! Essa desconhecia a razão!
Maria Encantada era calma como o vento que sopra na noite, tranquila de tudo; sabia dos sons inauditos, das palavras que não foram pronunciadas, via seres que nenhuma Maria via. O que fazia com que as demais achassem que ela havia sido enfeitiçada ao nascer, mas não tinham medo dela pois sabiam que seus olhos eram bons assim como seu coração. Maria Encantada só queria conhecer os átrios de Deus, não se importava com mais nada, mas sempre entrava em conflito com Maria Sabiá que vira e mexe tentava lhe tirar a paz de espírito.
Maria hoje não sabia quem era, se era sul, se era norte, se não era.
Maria só queria que todas essas Marias silenciassem por cinco dias, para que assim e então ela pudesse encontrar a rosa que todas desejavam, mas não lembravam onde haviam deixado.
Ao encontrá-la Maria sairia de casa e não mais voltaria seria a hora de compreender quem era Maria.
Maria só queria que todas essas Marias silenciassem por cinco dias, para que assim e então ela pudesse encontrar a rosa que todas desejavam, mas não lembravam onde haviam deixado.
Ao encontrá-la Maria sairia de casa e não mais voltaria seria a hora de compreender quem era Maria.
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