segunda-feira, 16 de abril de 2012

Maria.


Elas parecem diferentes, mas carregam os mesmos olhos pretos e o mesmo peso no olhar.
Uma delas fala baixo, tem voz mansa, é doce, delicada. Chama-se Maria, mas todos a chamam de Mariazinha. Ela deve ter uns quinze anos, tem coração de criança e espertos olhos de menina! Sua inteligência é acima de tudo emocional, Maria é um doce com olhos de jabuticaba.
Já Maria Malagueta não é flor que se cheire, como diria sua mãe. Desde menina fora arretada, discutia com adultos, reclamava, respondia, parecia o tempo todo que iria fugir a qualquer momento, sumir num pé de vento! Cresceu séria, calada, esperta, olha o outro como quem vê a alma e desarma qualquer ser vivo; mulher forte, olha de frente, abre o peito não tem medo de bicho algum, é um pequeno touro de briga, não descansa nunca, tem  vinte anos, mas parece que já viveu cinquenta e um!
Maria Bicho do Mato sempre se escondeu de gente! Só tirava foto olhando para os pés e nunca saía de casa sem a mãe. Não havia pai, irmã, tia, avó ou deus que valha que lhe fizesse soltar a mãe. Maria Bicho do Mato cresceu filha protetora, evitando estranhos e amando animais. É Maria filha da mãe e como tal só quer colo, só quer colo.
Maria Sabiá era uma peste destruía qualquer coração desprevenido, não por ser bonita mas por ser Maria. Ela tinha aquele viço no olhar, um sorriso de canto, um sacodido de ombros, uma voz doce, uma gargalhada farta e olhos gigantes cheios de energia. O moço nem percebia que estava sendo enrolado quando via já havia caído na conversa de Maria. E lá ia ela rindo de mais um coração tolo. Maria Sabiá era boa menina, não achava que fazia mal, apenas que se divertia.
Mas havia uma que era diferente de todas as demais. As outras Marias não conversavam com ela, ela não deixava espaço para diálogos era sempre silenciosa e objetiva. Não se sabia o nome dela, não parecia Maria, não parecia nada! Tinha a mesma cor, os mesmos cabelos, os mesmos traços, mas o olhar era diferente! parecia intacto, firme e nada mais. Ela nunca teve medo, nunca teve compaixão. Inteligente, nunca se curvava, nunca se deixava tocar. Havia sumido por muito tempo, tomaram-na por morta, enterrada sem nome. Mas um dia ela voltou!
Foi quando Maria Serena estava sofrendo perdida em lágrimas tadinha, era dor de amor!
 Maria Serena queria saber quem havia inventado o amor, achava que o dono de tal impropério deveria ser processo pelo ato indecoroso e sofria por não poder culpá-lo, afinal o desconhecia. De todas as Marias foi a única que conheceu o amor e que com ele brigava, as demais o cumprimentavam educadamente quando ele por perto passava. É que Maria Serena era fácil de ser fisgada, um prato cheio para sentimentos profundos. Tinha a característica de querer conhecer até o fim tudo quanto era sentimento e diante disso perdia a razão, agia sem pensar, diminuía, quase sumia diante da emoção. Maria Serena era passional, amava até o fim e quando sofria perdia até os quilos que não tinha! Essa desconhecia a razão!
Maria Encantada era calma como o vento que sopra na noite, tranquila de tudo; sabia dos sons  inauditos, das palavras que não foram pronunciadas, via seres que nenhuma Maria via. O que fazia com que as demais achassem que ela havia sido enfeitiçada ao nascer, mas não tinham medo dela pois sabiam que seus olhos eram bons assim como seu coração. Maria Encantada só queria conhecer os átrios de Deus, não se importava com mais nada, mas sempre entrava em conflito com Maria Sabiá que vira e mexe tentava lhe tirar a paz de espírito.
Maria hoje não sabia quem era, se era sul, se era norte, se não era.
Maria só queria que todas essas Marias silenciassem por cinco dias, para que assim e então ela pudesse encontrar a rosa que todas desejavam, mas não lembravam onde haviam deixado.
Ao encontrá-la Maria sairia de casa e não mais voltaria seria a hora de compreender quem era Maria.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Os reis mudaram de posição, a profecia se cumpriu e ela tomou seu lugar. 
A partir de então ouviria apenas o som de sua própria voz, sem saber que isso a mataria.
Conheceu reinos dos quais antes fora expulsa, sentou à cabeceira da mesa de gigantes, provou sua iguarias, bebeu ouro em cálices de prata e amou semi-deuses. 
Pisou sobre ossos sem se incomodar e feriu sem se culpar, seus olhos surdos estavam vendados e ela não sabia que quanto mais ganhava mais perdia.
Tua vida se desfaz em tuas mãos como a água que escapa pelos dedos e não notas?
 Quem és tu mulher da Babilônia?
Cobre teus ombros, tira teus brincos, abre teus olhos, esconde teus cabelos, veste-te de paz e anda.
Regressa antes que o sangue em teus lábios seque, antes que perfures teu próprio rosto, antes que engulas teu próprio coração.
 Em regresso, anda.

domingo, 4 de dezembro de 2011

A fuga das letrinhas.

Há um espaço em meu peito que as cores não preenchem.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Perdão.

O tempo é agora e é hoje, agora e já.
Vivo, fluído, infiel, dono de nós, fiel apenas a si.
Dono da cura e da dor, dono do sangue do peito, da fúria do mar, do que corre em mim.Dono do infinito e da efemeridade, das curvas da saudade
És tu o tempo do dente na língua, do fogo na perna, do choro no colo, do íntimo.
Do íntimo pedaço de paz, escrita no peito, de fora para dentro PAZ.

E pelo respeito ao tempo e a maneira como corre vagaroso e sábio digo que é preciso amar até o fim para deixar de amar e deixar amar.
Deixo em paz os bichos da floresta e seus sons particulares,
quero que durmam em tranquilidade com grandes olhos de carinho a lhes velar o sono.
Eu fui até o fim, mas que isso é morte. 
O fundo chega rápido quando se lança com o peito tão aberto e dói,
mas essa consciência liberta e sei que não é justo transferir a dor.
Não é justo sentir a dor, não além de seu tempo.
A lucidez não faz sentindo e a aceitação também não,
mas é preciso deixar ir em paz o que se sentiu e o que foi sentido.
Meu coração é bom, meus olhos às vezes me traem e tentam me destruir,
mas meu coração é bom e hoje eu volto a preservá-lo, preservá-lo de mim.
Não vai ser tão difícil assim me alimentar de minha essência, voltar a ser.
Ainda tenho muito banho de mar para  tomar e um espírito para enriquecer.
Aprender e depois doar. Perdoo minha alma e peço perdão.
Seremos Tu e eu até o fim e sou grata por isso.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Cachorro Morto.

Meus aspirais estão abertos, suas curvas converteram-se em retas e ainda assim, e talvez por isso, não sei aonde ir. Meu corpo se tornou uma obrigação, mais leve o forço a andar. As cores já não tem o mesmo gosto, pálidas perderam o tom, assim como eu. Perderam os quilos que não poderiam perder, o brilho, a inspiração.
Só mais dois dias, seis talvez, quatro, eu não sei.
Não se pode transmitir isso, um sentimento misto, híbrido, plural, destruidor.
As profecias, as visões, as dúvidas, a dor e é tudo tão real.
Meu corpo vazio aberto não sangra mais.
Me recupero e nego, não acredito mais, não me olho mais, não olho mais.
Não há mãos que repousem sobre mim.
Meu corpo incrédulo é reta, não tem mais aonde ir.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Libre

Minha imagem é violenta
meus olhos são fortes
eu disputo, mato e ganho.
Não há mais o que me detenha
meu peito outra vez é chamas.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Fragmentos...

de desejo: teu cheiro entrando pelo meu nariz.